SMALL DOGVILLE I
Máscaras ao chão. Há um brilho de diabo em meus pequenos atos, como respirar num beijo em espiral. Quando estou morto sob o véu e nem o vento me sopra, meus olhos se perdem em pensamentos, caio diante da pedra e o fogo sobe sem rumo de dentro de mim.
Selo palavras em pensamentos cerrados, na tentativa de velar o obscuro de minhas sombras, na busca de ser possível transformar a escuridão do subsolo em alicerces de girassóis.
Sinto ser daí que nasce o verdadeiro amor, aquele que me cega por fazer brotar cores dos olhos de quem amo. Meu melhor gozo é sentir o amado, liberto e seguro, desfalecer em suspiro na confiança dos meus braços.
Queria te confessar um segredo, mas tenho medo que entendas tudo errado. É lógico que lembras dos tantos abraços que evitei!
Meu rosto é alérgico ao suor da pele de outra pessoa. O beijo é bom demais, e eu te beijaria eternamente, mas arde muito e meu rosto fere. Até minhas mãos me machucam.
Às vezes parece fácil colocar assemelhados num mesmo foco de suposições, mas há muito mais coisas permeando certas incertezas. O mundo e a vida são tão complexos que o óbvio é a falsidade em certezas vazias.
O simples é bom demais! Mas se pelo simples fluísse minha energia eu nunca seria humano, talvez uma ameba, ou uma gota de chuva. Mesmo sabendo que ameba e chuva possam ser bem mais complexas que eu aqui deixando o tempo passar.