
QUEM TEM MEDO DE TINA TURNER?
Há preços impagáveis, em alguns dias se apanha de um, em outros é possível gritar a dor num estádio ou numa janela, para multidões. Um dia a gente chora, no outro, brotam músicas dos olhos. São dias atrás de outros. Camas e camadas atrás de uns, e às vezes não se encontra ninguém, nem a própria sombra no meio de tanta escuridão. Em tempos de Control+Zeus não existem mais pecados. Ainda não existe GPS para almas, nem para desesperos particulares. E Marias e Madalenas descem rios com seus pudores e culpas em copos Winehouses. Yes, I Amy! Mas, não me interne! Ainda não sou alcoólatra, apenas tenho instantes depressivos. Só não sei até quando. Talvez minha salvação seja o desequilíbrio. E tal descontrole, minha solidão. Cansei de me fazer encaixar em vazios abandonados, para não incomodar. Neles não me acomodo. Não caibo nem em mim. Sinto-me um pulsar no limite de explodir, um orgasmo de pipocas na platéia do cinema. Luz, quero luz! Ro Ro! Talvez o limite da felicidade seja um muro de orgulho e arrogância que não me deixa assumir minha persona real: um palhaço. Quem sabe do ridículo possa nascer sorrisos internos bem mais concretos que a polidez de certas atitudes melancolicamente aceitáveis. Cuspir no rei parece ser uma atitude honrosa. E beijar-se num corpo mendigo não seria uma salvação melhor? Se eu for para o inferno, ou melhor, depois que eu for para o inferno, sempre que lembrares de mim cante uma música bem alegre, daquelas que me fazem sair de mim no primeiro acorde. Dormir é um talento que pouco tenho. Sonho muito, principalmente acordado. D'accord, d'accord, d'accord... Sou feito de acordes dissonantes. Infernos e Dantes.
Escrito por Ronaldo às 03h21
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