
À última noiva / 31 de maio / Pontos finais.
O frio chegou. Ele, ainda não.
O vinho continua a hibernar na geladeira desde o começo da noite. Deve ter passado o ponto da temperatura cool. Comecei a esfriar também. Deve ter sido a roupa nova...! Verde não é bom depois das seis da tarde. Nem da sexta idade.
Vou colocar uma música* para me deixar distante. Nos meus lugares secretos. Um distante tão longe, onde solidão não se sente, onde ela não faz mais sentido.
Ele não vem mais... Merda! A rolha do vinho quebrou. O barato de um vinho argentino nem sempre é bom.
Nessas horas é bom ter milhõe$. Só para aliviar a miséria aqui dentro. É quando certos crimes até então evitados surgem tentadores. Um Pas de deux sobre jacas de uma bailarina alada
Estava tentando tanto pisar no chão! Não consigo sair dos tetos da minha cela: Minhas tetas masculinas.
Ainda bem que deste lado debaixo do mundo não tem sóis à meia-noite. Não queria meu olhar a me entregar. Não sem motivo.
Aqui, precisamente hoje, o frio tomou conta do chão do meu quarto. Uma névoa densa a soprar meu tapete. É quando dá vontade de acordar sob um só, e travesseiros nos pés.
* Ouvindo: James Blunt - Same Mistake
“E então eu mandei alguns homens à guerra, E um deles voltou na calada da noite, Disse que tinha visto o meu inimigo Disse que ele se parecia comigo Então eu me preparei pra me ferir E aqui vou eu”
Escrito por Ronaldo às 00h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|

Recomeço
Nunca escondi meus infernos, nem o pior de mim. Afundo em meus devaneios. Não clamo salvação, nem piedade. Nem por um momento fodido, ou perdido, com todos os “ds” possíveis. Nem sei onde há dor... Eu tomo vinho e rio, como sempre, rio... Não sei ser diferente... Eu calo, desapareço... E volto como um final de tarde do Marajó. Nada vai me derrubar! Eu quebro por ser estúpido, por ser imbecil, ou por tantas outras imaturidades minhas. Mas não quebro por pouco! Não sei para onde vou, não sigo o caminho de outros pés, não canto só em mim, e nem sou um canto só. O zumbido do silêncio do fim da tarde no Marajó é minha eterna agonia.
Escrito por Ronaldo às 01h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|