
ENTRE PORTAS E JANELAS
Há alguns dias estou abduzido por um computador de 22 polegadas, com mouse e teclado sem fio. Sinto-me tão deslumbrado quanto no dia em que brinquei com meu primeiro vídeo game, um Odissey, nos 80´s, quando ainda morava no Marajó. Num tempo em que Manaus era o pólo de tecnologia do País.
Daquela época a agora muito aconteceu, o muro simbólico foi erguido no palco pelo Pink Floyd e o original caiu entre Berlins. Madonna utilizou-se de crucifixos à cabala para se masturbar e tentar ser Virgem... Maria. Michael Jackson virou branco, Bowie virou hétero e Gretchen, um ornitorrinco. Eu: gay!
Voltando ao computador e às grandes polegadas... Hoje sou diretor de arte, passei na faculdade que parecia ser impossível para a realidade da minha tribo Marajó. Aqui, na outra selva, virei um bom diretor de arte, e tenho muito orgulho disso.
Trabalho há dez anos com computadores e ainda lembro-me do meu primeiro contato com a informática, do medo de desligar a máquina da tomada e perder tudo o que eu havia feito. Às vezes me pego ainda não entendendo como certos registros podem ser quase eternos, e já não entendia isso desde o tempo da “simples” fotografia, que um dia virou o cinema que adoro, e “incompreendo” cada vez mais.
Trabalho com imagens todos os dias; imagino uma cena, tento construí-la, recorto imagens, duplico-as, mudo o fundo, a luz, limpo peles, o chão, as paredes: um faxineiro; elimino e coloco pessoas em cena, faço ampulhetas gotejarem óleos de girassóis em capas de revistas. E mesmo assim, depois de tanto tempo, ainda me intriga a tecnologia que faz tudo isso rodar entre janelas.
Entendo Magnólias... E um pouco de samambaias. O resto, finjo entender. Sou fruto de “uma inocência pisada”. Ser leve não me adjetiva. Sou pedra... Pomo, uma esponja ao mar. Aprendi a morder maçãs nas madrugadas paulistanas.
Se eu pudesse ser o autor da minha epígrafe, seria: Ninguém é perfeito!
Mas minha mãe – se ainda viva lá... – não permitirá tal verdade. A não ser que eu deixe em testamento. Vou pensar no caso!
Viver em festa alimenta minha alma. Seja amar, cantar, dançar, gritar, gozar, um bar ou um par. Vou e vôo para um canto... Seja ele de uma palhoça ou de Billie Holiday. Mas vou sempre. O desconhecido me atrai. E voar sempre É o meu maior sonho, até em sonhos.
Quem sabe um dia envolto por minha casa...
Escrito por Ronaldo às 03h30
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