LOBO-TO-MIAR
Quando tudo parece ir em direção ao equilíbrio ergue-se à minha frente um espelho falante, inteligente e belo, de camisa vermelho – a cor. Torto e certeiro como eu.
Marlboro entre os dedos, AMs em rádio, 3:00 a.m. – manhã – de um inverno que só anuncia o começo.
Meu Deus é cínico, meu sim é sádico e meu fim é a imensidão. A cada passo descaso o acaso da coincidência, tudo vira destinos cada vez mais chão, terras de palmas batidas.
Quando achei que Deus tinha esquecido das flores, o céu chora sobre meus ombros e me lembra que o último nasce a cada dia. E de algum lugar vem a ordem que o dia pare, que eu pare. É o parir e o parar que gira a roda dos sonhos sem fim.
Talvez a mensagem não fosse pare, e sim pares. Paris e a maçã, escolhas mais sábias, entre belezas e o melhor. Talvez falte coragem, ou coragem a virar libertação.
P.S.: Dedico a mr. wolfway, que embora nunca tenha oficializado a minha existência em uma mísera linha sua, ele de mim ecoa entre os dedos que me fazem parir o verbo por onde ele transita... De um Mário a um Carlos Drummond ’n’ Bass.
Escrito por Ronaldo às 02h54
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