
QUE QUERES TU DE MIM?
Não sou puta, nem filho de uma. Te amo tanto que até fico irritado com o desconcerto. O que queres de mim? Não tenho mais do que isto à tua frente. Embora eu reconheça que transbordo intensidades, também sei ser comum e desaparecer quando quero ou quando é preciso, ou incerto.
Descobri contigo que tenho uma paciência acima da média, mas tudo no mundo acaba um dia. Eu só queria uma vida comum, eu só queria poder ser comum, pelo menos quando estávamos a sós. Eu queria fazer coisas simples ao teu lado, lavar a louça do café, brigar pelas cuecas no banheiro e te roubar beijos com gosto de travesseiro.
Infelizmente, preferes não acreditar em príncipes. Eu acredito! Sou um deles, e sabias disso desde o nosso primeiro beijo. Mas infelizmente preferes conviver com os teus demoniozinhos, na tua vidinha cheia de mediocridadezinha.
Não! Eu não trepo com o leiteiro, nem com o açougueiro, nem com outros "eiros". Meu corpo não é depósito desespero. Pertenço a um estágio bem mais avançado de desejo, e quando sinto vontade de mergulhar na lama, vou fundo! Mas consigo distinguir-me dela, e depois saio tão ou mais limpo do que entrei.
Te dei todas as chances numa fase bem delicada para mim. Pensei que saberias aproveitar, mas não! Te apegas tanto ao teu passado torto que não conseguiste aproveitar o presente que te ofereci de braços abertos.
Eu desejei, ao teu lado, um futuro. Infelizmente, abortado. Mas vou em frente, com meu olhar intenso e de muito bom gosto. Sim! Você está incluso no melhor da minha vida, mas não sou eu quem precisa convencê-lo disso.
Continuo te amando muito, mas, como já te disse antes, “amar não é suficiente”. E assim, vou... Te amando e com raiva da tua covardia. Só espero que encontres um bom caminho. Eu ainda não sei para onde vou, mas eu já sei para onde não quero ir.
Escrito por Ronaldo às 22h35
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