É tudo tão novo e intenso, que perdi a noção do que é teto ou chão. Só sei que está tão bom...



 Escrito por Ronaldo às 11h22
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REIS DE COPAS

Sei que o caminho nascido da porta por onde entrei pode ser um reino de copas, vejo o sorriso do gato, e ele voa pelo céu. Só não sei se transformei o chapéu do louco numa asa delta ou num paraquedas. Na cidade das luzes ofuscantes é quase impossível a certeza de chão.
A rosa do príncipe caiu da lua, encontrando Ismália em seu lago, enlouquecidas pela vertigem provocada pelo cume da montanha. O beijo do vampiro perfura a fraqueza pela ganância insaciável.
Quando a posse já é fato, há o impulso de destruir o troféu, e o beijo vira purgatório. Planta-se magnólias num jardim de inseguranças e solidão, um ato insano para impedir o nascer do sol. Um prazer sádico a perpetuar a dor no outro, vingança descabida de razão.

Há um demônio de asas brancas em mim, um anjo que se curva pela estrada, um rio que deságua no céu da boca, boca de um inferno sem fim a reproduzir atos viciados, por não saber para aonde se está indo, nem aonde se quer chegar.
Olho em teus olhos, perfuro teu corpo, e me sinto esquecimento. Esqueço a dor e a revolta, esqueço do mundo. Bato com as palmas das mãos o teu pênis e surgem fadas perto das velas, e no escuro deste mar o vento me joga ao encontro do teu peito. Morro e te mato a cada noite, um morro frio de matos orvalhados, um frio na espinha atravessada na garganta: um "s". Ou esses travesseiros que nos contorcem.
Abro meus braços e tento voar para longe do inferno dos homens. Teu abraço me faz flutuar, e sinto vontade de devolver minhas asas, mesmo sabendo que só teremos alguns segundos para tocar o céu.

Sou bicho arredio, rapaz! O preço de fincar meus pés no chão - e criar raiz - é muito alto. E daqui do alto eu digo: guarde minhas asas, no momento eu não preciso delas, ao teu lado o infinito parece maior. Contigo sou demônio e anjo, e sinto na boca o gosto de mel e sangue, sem destruir um só universo.
Meu amar perdeu o sabor de verbo, e hoje tenho o teu odor impregnado em mim; suor brotado da dor diluída no amor que procurávamos. Eu quero me perder em ti, perder o resto do juízo que há em mim, e mesmo que o amanhã transforme nosso céu em chão, foda-se o amanhã! No inferno dos homens o amanhã sempre tenta acabar com o pra sempre, "e o pra sempre sempre acaba".

É só ignorarmos o amanhã. Vem para cá agora! Vamos passar a noite juntos, trepando até quando a carne resistir.
Amanhã?! Amanhã talvez nem estejamos mais aqui. Que ces´t par... tido.


MOULIN ROUGE
(extraído do filme)

"Meu presente é minha canção
E esta é para ti
E podes dizer a todos
Que esta canção é tua
Pode ser bem simples, mas
Agora que está feita
Espero que não te importes
Que eu expresse em palavras
Como a vida é maravilhosa
Agora que tu estás no mundo

Eu sentei no telhado
E sacudi a poeira
Bem, algum desses versos
Deixaram-me bem irritado
Mas o sol foi gentil enquanto escrevia essa canção
É para pessoas como tu
Que continuo a fazê-los

Então, desculpe por esquecer
Mas, essas coisas eu faço
Como vês, eu esqueci
Se são verdes ou azuis
A verdade é que
O que eu quero é dizer
Que tens os mais doces olhos
Que eu já vi

Como a vida é maravilhosa
Agora que tu estás no mundo

Poderíamos roubar o tempo
Apenas por um dia
Poderíamos ser heróis
Para todo o sempre"



 Escrito por Ronaldo às 01h51
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(A Persistência da Memória, Salvador Dalí)

O INFERNO DOS HOMENS IV

Ser homem não é tarefa fácil. Amar outro homem é um ato heróico, é estar ciente do perigo de se ver num espelho de possíveis crimes. Entregar-se a outro homem é como pular de uma ponte com os olhos fechados, sem saber se os pés encontrarão pedras ou um rio profundo. Uma mistura de liberdade com a insegurança gostosa do pecado.
Amar outro homem é optar pelo fim, é abdicar da imortalidade vinda da procriação. É o "instante-já", é o agora ou o nunca mais.
No inferno dos homens o amor tem gosto de sangue, inflável e pulsante; percorre do carinho à violência com a mesma naturalidade que um de beijo a uma mordida. No inferno dos homens dor é pimenta quase indispensável, é um turbilhão de delicadeza, raiva, entrega, vingança, posse e concessão, um ato de revolta contra o mundo assustador, e um sentimento de segurança por conhecer como funcionam os brinquedos do jogo.
Ser homem é conviver com a eterna posssibilidade de falhar, como um carimbo na testa. No inferno dos homens, acuados, a gente silencia o segredo de sabermos não ser o Deus que desde garotos nos cobram ser.
No inferno dos homens existem dias de salvação... É quando o peito aperta, e o prazer maior vem depois do gozo, na fusão de dois corpos diluídos. No inferno dos homens o para sempre é quase inexistente, e nem por isso a magia se perde. Aos homens são dados alguns instantes de prazer indescritível, e são os instantes que nos salvam.


TEUS OLHOS TEM O TOM DO VERDE QUE SEMPRE PROCUREI

Em teus olhos vejo o mar e me sinto em paz
Entre teus braços me sinto cuidado
Perdido em teu corpo, pecado
Quando te toco sinto a perdição segura
Um desejo intenso, um querer mais
Teus olhos imploram meu mergulho
Os meus, umedecem ao te ver sorrir



 Escrito por Ronaldo às 07h14
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"Quero acordar de manhã do teu lado
E aturar qualquer babado
Vou ficar apaixonado,
No teu peito aconchegado
Ver você, assim, dormindo e sorrindo
É tudo que eu quero pra mim
Tudo que eu quero pra mim"



 Escrito por Ronaldo às 10h39
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