LIGHT MY FIRE

 

Teu peito cheira a fogo. E queima!

Arder nunca foi escolha. Se fosse, não falharíamos

Nem falaríamos sobre, e nem abaixo - tão baixo!

Sussurros ao ouvido da lua

Sua, vinho, brilho, nua, cinto e crua

Nos dias em que minhas fadas morrem, eu me masturbo, evitando o suicídio

Cindo como o sino das seis em tardes de domingos

 

Amor! Quatro letras perdidas entre tantos de quatro

Mordidas em bocas, línguas e cus

Partidas carnes, peitos sem direção

Qual a distância entre um beijo, um pau, um cu e um colo?



 Escrito por Ronaldo às 02h09
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ENTRE/PURGATÓRIO

 

Tem tempo que me persegue em músicas, tem músicas que me perseguem há tempos, e continuo tentando perseguir o limite onde música e tempo se encontram. Desconfio que esteja na gaveta que guarda o olhar canibal trocado entre Caetano e Chico. Certos quereres não nos pertencem.

Está ficando cada vez mais difícil a possibilidade de ocupar o travesseiro ao meu lado, minhas fadas construíram um castelo impossível de se manter de pé. A areia escorre pelo tempo e me sinto com os pés na linha das ondas, entre a praia e o mar, entre amar e as madrugadas. Talvez os monstros sejam meus deuses, e talvez eu tenha aberto um novo caminho entre o céu e o precipício. Estou entre coisas... Abstrato e abismado, no limite entre o inferno e o chão.



 Escrito por Ronaldo às 03h05
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OS SONHADORES

 

Tem gente que acredita que viver é um ato simples e mecânico, eu não. Sempre houve à minha volta uma infinidade de coincidências um tanto estranhas, e sempre desconfiei delas.

Às vezes são músicas nunca ouvidas que de uma hora para outra me perseguem em vários lugares, por dias. Às vezes são imagens ou comentários coincidentes sobre fatos aparentemente desconexos.

Durante minha viagem ao Marajó presenciei situações confusas, algumas capazes de colocar minha razão em xeque. Cheguei a ouvir de um padre – pessoa, para mim, racional diante de questões inexplicáveis – que minha família encontra-se na atual situação de infortúnios devido à forte inveja e até trabalhos maléficos. Num primeiro momento não levei muito a sério, mas depois de repensar sobre tudo que aconteceu nos últimos anos comecei a fazer conexões entre certos fatos marcantes.

Em um dos dias nas férias em casa, durante um banho, achando-me forte o suficiente, toquei com as duas mãos as paredes e tentei um ritual de purificação da casa. Era como se toda a energia ruim atravessasse meu corpo e escorresse pelo ralo. Senti algo estranho, como se uma força ruim percorresse minha alma, e tudo aquilo me dava medo.

Não lembro direito como terminou, só sei que depois que voltei para meu apartamento aqui em São Paulo muitas coisas ruins estão acontecendo comigo. Não sei se é o inferno astral, mas tenho uma estranha sensação que meu apartamento se voltou contra mim, até parece que tenta me matar. Um roubo que bagunçou minha vida, é o fogão dando choques estranhos, é a janela que estourou quase decepando minha mão, entre outros fatos que estão me deixando numa insegurança confusa.

Nos últimos dias, por motivos conflitantes, acabei viciado no seriado Lost. Até então parecia um surto de ficção. Como se meus medos encontrassem um porto confortável para extravasar. Mas depois da frase e da música ouvida num mesmo episódio, música que me persegue desde o dia em que a primeira janela do meu apartamento caiu do 11º andar, comecei a ficar preocupado. Talvez seja coincidência, talvez algo mais.

 

“Há uma linha tênue entre negação e fé.” (Lost)

 

La mer qu'on voit danser
Le long des golfes clairs
A des reflets d'argent.
L
a mer des reflets changeants sous la pluie.
La mer au ciel d'été confond les blancs moutons
Avec les anges si purs.
La mer bergère d'azur infinie
Voyez près des étangs ces grands roseaux mouillés
Voyez ces oiseaux blancs et ces maisons rouillées

La mer les a bercés le long des golfes clairs
Et d'une chanson d'amour
La mer a bercé mon coeur pour la vie



 Escrito por Ronaldo às 04h12
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MAIS UMA HISTÓRIA DE FANTASMAS

 

Janelas, calabouços de almas perdidas

Há nelas escuridão e mordidas no peito

Cadelas no fio, farpas e navalhas na sorte

Flanelas para abrir asas, cartas, descarte

 

A morte de amor

Amá-lo ou amarela?

Poderia ser uma flor

Foderia se não fosse

Partida dentro - e para longe - de mim

 

Pato em seios errados

Farto de cisnes castos

Puta de filhos-fardos

Árduos bastas

Bastardos!



 Escrito por Ronaldo às 16h36
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