OS SONHADORES
Tem gente que acredita que viver é um ato simples e mecânico, eu não. Sempre houve à minha volta uma infinidade de coincidências um tanto estranhas, e sempre desconfiei delas.
Às vezes são músicas nunca ouvidas que de uma hora para outra me perseguem em vários lugares, por dias. Às vezes são imagens ou comentários coincidentes sobre fatos aparentemente desconexos.
Durante minha viagem ao Marajó presenciei situações confusas, algumas capazes de colocar minha razão em xeque. Cheguei a ouvir de um padre – pessoa, para mim, racional diante de questões inexplicáveis – que minha família encontra-se na atual situação de infortúnios devido à forte inveja e até trabalhos maléficos. Num primeiro momento não levei muito a sério, mas depois de repensar sobre tudo que aconteceu nos últimos anos comecei a fazer conexões entre certos fatos marcantes.
Em um dos dias nas férias em casa, durante um banho, achando-me forte o suficiente, toquei com as duas mãos as paredes e tentei um ritual de purificação da casa. Era como se toda a energia ruim atravessasse meu corpo e escorresse pelo ralo. Senti algo estranho, como se uma força ruim percorresse minha alma, e tudo aquilo me dava medo.
Não lembro direito como terminou, só sei que depois que voltei para meu apartamento aqui em São Paulo muitas coisas ruins estão acontecendo comigo. Não sei se é o inferno astral, mas tenho uma estranha sensação que meu apartamento se voltou contra mim, até parece que tenta me matar. Um roubo que bagunçou minha vida, é o fogão dando choques estranhos, é a janela que estourou quase decepando minha mão, entre outros fatos que estão me deixando numa insegurança confusa.
Nos últimos dias, por motivos conflitantes, acabei viciado no seriado Lost. Até então parecia um surto de ficção. Como se meus medos encontrassem um porto confortável para extravasar. Mas depois da frase e da música ouvida num mesmo episódio, música que me persegue desde o dia em que a primeira janela do meu apartamento caiu do 11º andar, comecei a ficar preocupado. Talvez seja coincidência, talvez algo mais.
“Há uma linha tênue entre negação e fé.” (Lost)
La mer qu'on voit danser Le long des golfes clairs A des reflets d'argent. La mer des reflets changeants sous la pluie. La mer au ciel d'été confond les blancs moutons Avec les anges si purs. La mer bergère d'azur infinie Voyez près des étangs ces grands roseaux mouillés Voyez ces oiseaux blancs et ces maisons rouillées
La mer les a bercés le long des golfes clairs Et d'une chanson d'amour La mer a bercé mon coeur pour la vie
Escrito por Ronaldo às 04h12
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