JOGO DOS ERROS / CEMITÉRIO DOS SONHOS
Madrugo assim... Joana, uma louca de peitos fartos, espanhola. Uma cacimba trincada em rachaduras vedadas por limos nascidos de um tempo sem cafunés, e toques de recolher.
Caminho assim... D´arc e darwinianamente, entre a cegueira do sagrado e a involução pelo desejo de carnes vermelhas, a marretadas.
O azul do mundo é prisioneiro do cinza que suplanta os segundos pós-orgasmo. Quando o beijar perde o sentido na companhia ao lado.
Pertenço à casta daqueles que nasceram para morrer de amor. Sou um louco vadio em busca do porto, do vinho e ao mar.
É impossível tocar o desejo nesses dias de sol chuvoso. Estendo o corpo em meu chão frio, aliviando a mente em antagônicos perfis de príncipes. Atavismo vicioso de um tempo medíocre. Talvez o sapo seja a mais verdadeira das alucinações.
Minha língua se aciona por desejos sórdidos, de uma sordidez comum aos que não frescuram-se por balançar os pés na lama.
Até onde vai o limite da pureza? Qual a altura do que se esconde sob o tapete da sala-de-estar?
Sinto a poeira em meus poros, e sei da impossibilidade das fadas durarem mais que alguns instantes.
Tenho tanto tempo para abdicar do óbvio, que me pergunto: onde foram parar as escolhas sábias? Talvez minha alienação não seja condizente com o fácil. Talvez o erro corra em gotas pelo meu sangue. Ou simplesmente viciei em parir aquívocos.