À ROCHA
Olá, rocha!
Firme e impávida rocha
Que me provoca enquanto ainda sou medos
Tu me olhas como se o tempo passasse por ti
Sem lascar, sem ruídos e sem ruir
E eu aqui, com um zumbido enlouquecendo minhas rachaduras
Rachaduras flácidas, amarguras pálidas de um dia sem céu azul
E eu aqui, sozinho ao teu lado, nesta praia
Que confunde areia com o turvejado mar e o desbotar de um céu metamórfico
Sinto-me sem sangue, sem Deus e com a tristeza de estar num limbo
E tu aí, estática e sólida, partindo a velocidade dos ventos
Mergulhada em tempos e limos
Quem vai enlouquecer primeiro?
Em certas horas a violência em mim queria te partir em finitos grãos
Como vingança d´eu não conseguir parti daqui
Mas resisto, talvez por seres negra, pro seres todas as cores
Eles dizem que a escuridão é feia, mas vejo que a escuridão é o que nos eleva
O melhor deste negro em que nos enfiamos é que ele ama as cores
A ponto de seqüestrá-as, e desaparecer, sem as sombras da luz que mente
Negra rocha, vou caminhar novamente pela praia, procurar um outro caminho
Talvez encontre uma saída, talvez o mar e o fim
Ou quem sabe acordar, e perceber que tu, a praia, o mar e o céu sou eu