É FESTA! É SEXTA

Sexta é meu aniversário, e pretendo comemorar muito. Definitivamente 3.1 é uma versão bem melhor que a 3.0, e vem com todos os opcionais.
Sinto a crise perder a intensidade, dando lugar para outros interesses melhores.
E vamos nessa, que março anuncia águas boas! Viva a 25 de março! 



 Escrito por Ronaldo às 08h13
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Acordei com uma preguiça tão grande que se uma brisa passar pelo meu rosto eu durmo.
Vontade de estar em um igarapé de águas geladas e silêncio. Meu cérebro anda cansado demais para produzir algo decente, e pelo visto todos enlouqueceram aqui na agência. A tensão é tanta que dá vontade de abrir a janela e sair voando em diração ao Marajó.
Faltam sete dias para o meu aniversário, entrei no meu purgatório astral, e falando mais besteiras que o normal. Fala-se que e a maturidade traz o equilíbrio, estou precisando de pelo menos dez anos a mais.
Hoje, eu só queria uma banho de mar, ou de rio, e uma boca para molhar a minha. Calor.



 Escrito por Ronaldo às 11h58
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Antes de falar qualquer coisa, aviso que as palavras aqui escritas revelam só um pouco de mim, são só pedaços em palavras...
Continuo temendo humanidades, incluindo a minha. Eu só queria entender de onde vem tanta fúria. Alguns têm motivos aparentemente concretos, outros, somente concretos.
Incomoda-me o "achismo" de ter razão, incomoda-me sorrir cinicamente ao ver histórias repetirem-se frente aos meus olhos, e eu com cara de experiente.
Sou feito da mais pura fachada, minha casa tem paredes de vidro como qualquer outra casa. Meu discurso parece interessante, mas nem eu o sigo. Não é tão simples arrancar os sapatos e bater as palmas dos pés ao chão. Desconfio de minhas palavras mais nobres, meu tesão maior vem de tantos "nãos" e de uma pitada bizarra de acaso. Meus prazeres maiores despertam-se quando estou só.
Solidão? Angústia? Acho que não. Até hoje nunca me senti só, mesmo nos momentos em que chorava num canto qualquer de minha casa, nunca senti solidão. Acho que solidão não tem relação com o estar sozinho.
Amo a todos os que fazem vida de minhas partes, amo e amo muito. Mas é de mim que nascem estradas, e é de mim que nascem os lugares em que guardo cada um. O mundo não tem culpa de meus desacertos.
Espero estar falando besteira, preferia ser adepto da alienação de tudo que toco. Estou tentando... Quem sabe um dia eu me transformo num filho-da-puta oficial.



 Escrito por Ronaldo às 04h08
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"Quando eu sou boa, eu sou boa. Mas quando sou má, sou melhor..."
Mae West

Provoco guerras dentro de mim, suicido-me e assassino-me quase todos os dias. Reverto minha parcela de ódio pelo mundo em palavras rugosas nas gavetas, que hoje viraram esta janela.
Tento em mim aprisionar a fúria que me faz desejar explodir o mundo, quase sempre consigo, mas em certas horas a leveza de uma possível agulhada faz brotar demônios de meus poros, e respiro sangue.
Alguns acusam-me de distorcer a verdade, e que minhas palavras ácidas não passam de uma defesa imatura. Talvez... Mas aviso: nunca fui santo, e nem tenho a menor pretensão para tanto.
Que eu amo demais, os que me conhecem sabem disso, e que minha irracionalidade irrompe o provável. Minha justiça tem gosto amargo, mas é da verdade que sobrevivo. Meus passos seguem caminhos que raramente renego, e mesmo errado eu sigo de pé. Provavelmente um dia eu caia e não possa mais levantar, talvez o meu "um dia" seja o último, talvez!
Só não pretendo fingir equilíbrio por tantas tempestades que passaram, nem pelas que estão por vir.



 Escrito por Ronaldo às 04h29
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PARA A MÃE QUE AMO TANTO

Mulher, talvez eu fosse nada do que sou hoje se teus olhos me abandonassem. Estamos tão longe, mas sinto que me segues onde quer que eu esteja. Às vezes me armaduras de pecado e outras vezes me salvas do perigo, é como se tu possuísses a alma do meu anjo da guarda.
É tão difícil escolher... Optei por ficar distante, nossos mundos ainda continuam intangíveis. Acho melhor assim, às vezes é preferível conviver com a saudade do que um enfrentamento que só provocaria amarguras. Eu te amo tanto que preferi o exílio a ter que enfrentar a ti e a teu Deus.
Se dói? Dói muito! Amar não é coraçõezinhos em porta-retratos, nem declarações vazias de palavras convenientes. Amar dói! Amor sem dor não é amor. Amar é ceder e matar pedaços da gente para que o outro se encaixe em nossa vida. O meu "eu te amo" tem o significado de "eu morreria por ti", e morro.
O melhor que a vida me deu foi aprender a amar, desaparecer o ego e apagar quando a festa é tua. Quando a gente ama a primeira coisa que morre é o "eu", e eu morro há tanto tempo por ti. Vivo sem teu colo, tão longe... São tuas músicas que ligam nossos umbigos, quando ouço Robertão sinto estar deitado na rede com a cabeça em teus seios, naquele calor da ilha. Mãe, tu me ensinaste a chorar e a transformar sofrimento em escaladas.
Tenho motivos e palavras tuas a mim que me fariam odiar-te. Mas prefiro amar-te. Em nosso amor tem arte partida, e partidas. Áquilas, feitiços e músicas que talvez nunca cantaremos juntos. Eu não quero que desistas de tuas verdades. A gente escolhe certas verdades para sobreviver, e cada um sabe onde aperta a foice da moça de negro.
Se eu queria reverter tuas verdades? Claro que queria! Mas acho melhor assim, sentido tuas crenças fazer de ti a mulher que admiro e amo. E sei que sou a pessoa que tu mais ama nessa vida. A gente é assim, amor e dor não rimam ao acaso, fazemos sofrer nossos maiores amores. Não sei se é defesa primitiva, autopreservação, ou sei lá o quê, mas a gente faz doer os que mais amamos.
Eu não quero que tu mudes, não quero que revertas tuas certezas por mim. Vamos seguir assim, um amando o outro, em mundos distantes, mas verdadeiros para nós.
E repito: eu te amo com todas as minhas distorções, e reenergizo a cada telefonema teu. Tu és meu grande amor, e sempre será.

P.S.: Meu pai foi o homem que me deu grande parte do melhor de mim, admiro demais o seu Ronaldo (também, Ronaldo), foi ele que me ensinou sobre ser justo e nobre, e embora eu não tenha entendido tudo, é dele que tenho o pedaço do bom em mim. Amo demais esses dois, eles são a prova de que é possível amar para sempre. A prova viva de que minhas fantasias são possíveis.



 Escrito por Ronaldo às 12h25
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O APOCALIPSE DE JOÃO


Quando o vi pela primeira vez senti uma mistura de desejo e perigo. Ele carrega em si um pedaço do inferno que pode me matar, pode ser uma grande paixão, ou o fim. E nem sei se quero arriscar.
Hoje, descobri que tem mais estranhismos nessa história que eu poderia imaginar. Contudo, tudo mesmo, não se pode evitar o acaso, e o acaso tem regras bem definidas, aparentemente caóticas e dispersas, mas certeiras.



 Escrito por Ronaldo às 03h00
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DESCONCERTANTE


Mãe, começo a desconfiar que teus elogios ultrapassavam a maternidade. Algo estranho acontece ao redor de mim, sinto abraços e apostas, como se a estranheza de meus sonhos fossem palpáveis. Sinto medo. Quase sempre evitei brilhar, mas sempre fui foco de olhares, normalmente nada agradáveis. E ainda não entendo o desejo de diferir dos outros e, ao mesmo tempo, não querer ser um estranho.
Mãe, eu não quero dar vazão ao pior de mim. Não sei se é meu ego ou meus sonhos que são gigantescos, mas há um gigantismo em mim, e isso me assusta.
Em certas horas eu prefiro uma parede perto de penumbras, escondido. É quase impossível ser invisível, e sendo sincero, incomoda. Mas é o que nunca me fez sentir solidão.
Ainda não sei o que é tal sentimento, nem sei se conforta ou angustia, só sei que sigo, em frente e em flertes com o incerto. Se certo, errado ou perfeito, não posso afirmar. A única coisa que sinto verdadeiramente é, quando sozinho, ultrapassar quaisquer limites de plenitude. É como se o universo bombardiasse meu peito com luz, um gozo sem toques, um sei-lá-o-quê!
Mãe, o mundo não tem as cores da sala de estar, nem a ausência pálida de nossos deuses. Estamos sós, e precisamos de muito mais que racionalismo. Nesses tempos estranhos uma dose de loucura pode curar suicídas. Talvez o erro do mundo "errado" seja a nossa própria certeza.



 Escrito por Ronaldo às 02h26
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VENTOS DO NORTE


A duas semanas da minha versão 3.1 os anjos da guarda decidiram fazer plantão, a sensação que tenho é de estar me transformando em três, ou mais, cada um em seu momento e lugar. Não mais tão confuso, e sim angulado, cubista.
Talvez seja a minha forma estranha de encarar o mundo, sinto que preciso me partir em muitos, cada um seguindo seu caminho, e quem sabe a confusão que atordoa minha alma transforme-se em paz. Quem sabe...



 Escrito por Ronaldo às 10h42
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O INFERNO DOS HOMENS II

Em tempos de 1984´s, Big Brothers e Alices, só me resta desconfiar de tudo que cheira à verdade. Sempre desconfiei da pureza e o absolutismo chega a mim com cheiro de lixo de igreja. Bananas e maçãs estragadas.

Há um mês eu gozava com príncipes digitais, há dois dias enfrentei meu discurso contra o açougue e lambuzei-me de carne, felizmente não tão sujo quanto a que me dispus a ceder. Mesmo assim, "quase limpo", chafurdei no lixo. E tal lixo tinha gosto de verdade, daquilo que se quer forçar ser possível e nunca será. Impossibilidades com as quais é inevitável conviver, mas não há saída, na verdade nunca houve. Só que agora, câmeras, googles, orkuts e blogs revelam o motivo da expulsão do paraíso. O saber é uma árvore que nos leva às raízes, à terra, ao fim da ilusão e da possível beleza.

Nós sobrevivemos até hoje por reinventar a ilusão, mas construímos armas tão cruéis ao ponto de acabar com tudo isso. Retornamos ao caminho das cavernas e provavelmente voltaremos a urrar. Macacos.

Nem sei mais se o que beijo é um bit ou uma puta, ou se é mais um pedaço de meu desespero diante de um mundo que não mais entendo. Nem mais tenho certeza se acordo sendo eu, ou a imposição do último anúncio da televisão que me quer assim. Perdi minhas certezas, e o que não me conforta é saber que não sou o único que cedeu, sou mais um igual, mesmo sabendo que difiro de todos, e todos, de mim. Mas todos aparentamos ser bosta.

Eu queria jogar pedra no muro, mas não mais existe muro. Eu queria cuspir na cara do culpado de tudo isso, mas o culpado não tem um rosto fixo, o culpado sou eu e todo mundo.

Há perdição entre a cruz, a suástica e a estrela, um cheiro de menstruação brotando de olhos surdos e convenientes. Não existe mais amor, só amizade e sustentação, beijos em garras com medo de escorregar pelo precipício. Salvação de acordos, acordadas, evitando o dormir eterno.

Em minhas mãos misturam-se sangue e semêm. Em mim, tentando tocar o sonho, só me resta fugir pelas estrelas. Sim, assumo minha covardia, mas ainda sonho com as fadas que assassino a cada banho. Meus dias transformaram-se em assassinatos de fantasias, e lavo minhas mãos molhadas de sangue branco, apago sonhos com um suspiro de esquecimento.

Eu queria e quero que tudo fosse diferente, e resisto por desacreditar em meu racionalismo. É uma pena que meu príncipe não habite o mesmo universo que eu, na verdade em meus desejos meu príncipe possui características de um grande paradoxo, ele tem o arquétipo do heterossexual, Freud diria que desejo meu pai, nem sei se discordo ou não. Desconfio tanto de meu cérebro que o racional é a coisa mais frágil que eu já pude constatar em mim ou perto de mim.

E no inferno dos homens só acredito numa coisa: o momento. Seja ele afetado por desejo, acaso ou doses descontroladas de qualquer droga. Nada nasce do nada, qualquer ato nasce de algum lugar. Em algum lugar a vontade se esconde, ou ela nunca brotaria. Sei que posso estar assumindo todos os meus crimes passados e futuros, mas é o que sinto.

Eu só queria não me render à hipocrisia, mas se eu optar por continuar a viver, vou ter que comprar uma máscara.



 Escrito por Ronaldo às 00h03
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Meu humor está oscilando tanto ultimamente... Devo estar na "neuropausa". Preciso urgentemente repor neurônios, mas serve uma caixa de Prozac, ou um baseado. Sei, lá!
Pensei que meu mal fosse sexo, mas o carnaval já provou o contrário. Talvez seja o coração atrofiando, mas amor é artigo de luxo ultimamente, acho melhor comprar uma caixa de Prozac.



 Escrito por Ronaldo às 12h39
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Hoje não vou trabalhar, estou doente. Na verdade, estou doente há alguns anos. Esqueci minha vida e venho definhando desde então.
Talvez eu não recupere o dinheiro perdido hoje, de um dia de trabalho, de um dia da pior das escravidões, daquelas que não há motivos "justificáveis" para contestar. É preciso pagar as contas, é preciso silenciar diante de uma parede que não mais me deixa ver horizontes.
Foda-se! Talvez amanhã eu não tenha luz em casa, já não mais o telefone, quem sabe eu perca o apartamento e a minha falsa liberdade. Pouco me importa, já estou perdido. Meus sonhos já são náufragos de minhas covardias. Eu tenho conhecimento e armas digitais capazes de mudar minha realidade, mas tudo não passa de irrealidade, meus ombros já não sustentam e nem derrubam o muro, não consigo mais ver o muro, mas ele está lá. Suástico e seco, como eu.
Não posso combater minhas correntes, acredito e defendo o mesmo ferro que me aprisiona. O "ele" a quem eu culpadava morreu, o "ele" agora sou eu, eu virei o meu "grande irmão", cheio de câmeras por todas as vísceras.
Acabou. Não há mais glória, nem heróis, só um close na minha cara quando acordo, afirmando que virei um cretino egoísta, que tenta sobreviver com falsas confissões de "eu te amo", sobreviver...
Eu só queria chance de poder amar, como naquele tempo antes do crocodilo engolir o relógio. Eu só queria voltar a acreditar, mas minhas lágrimas tem gosto de ferrugem.
Posso perder meus caminhos, mas nunca minha alma. E ela gritará sempre, seja lá onde eu esteja.



 Escrito por Ronaldo às 08h26
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NEVERLAND

Acredito que a verdade seja pura ilusão, acredito que basta bater palmas para que fadas acordem, acredito que um elogio a qualquer humano se transforme na realização de um desejo. Acredito que certas verdades são desnecesárias, e que o bom é a cegueira que faz da vida um lugar mais confortável.
Acredito que posso saltar da janela e voar, acredito no improvável do carnaval, que me faz gozar.
Ainda acredito em fadas, mesmo que meu Gancho negue. As horas corrompem-me, mas morrerei Peter Pan, mesmo negando ser.



 Escrito por Ronaldo às 07h17
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THE WALL

Arrumando minhas gavetas encontrei o único VHS que trouxe da ilha: The Wall, de Alan Parker. Parei o tempo e reencontrei todos os meus medos. The Wall foi o filme que matou minha infância, é dele que vem a minha parte amarga e ácida, depois dele perdi minhas fadas e criei coragem para entrar no mundo cinza.
Quando vejo o filme sinto uma mistura de agonia e inveja, The Wall é um filme que eu queria ter feito. Nele há tanto de mim, há um gigantismo de imagens e música, que arrepio só em lembrar. E lembrar de Sinead O´Connor cantando Mother, no show da Berlim sem muro.
O mundo depois dos anos setenta perdeu a mágica, tudo virou frio e digital como uma masturbação, solitária e vazia.
Os hipócritas e os desinformados talvez me joguem na fogueira, mas se o poder de homens como Hitler fosse usado para o bem, talvez o mundo fosse mais interessante e belo. Ainda facina-me os extremos de beleza e horror produzidos naquela guerra. Depois que assisti Arquitetura da Destruição, Hitler deixou de ser Charle Chaplin, e percebi que a verdade é muito além do que chega aos ouvidos.
Que o moço do bigodinho cretino foi um filho-da-puta jamais contestarei, mas há mais nessa história do que contam os livros.
Sobrevivi ao século XX, e nele aprendi a não morrer e a não ver nos limites. Depois do julgamento de Alice, percebi que a razão é terrivelmente insana e tendenciosa neste mundo de maravilhas.
Sempre desconfiei da verdade oficial, talvez por isso eu nunca tenha entrado na montanha russa da Dama da Noite, de Caio Fernando Abreu. Talvez eu nunca entre, e talvez eu nunca saia. A verdade é confusa, e tem mais ramificações que se pode imaginar. O mundo tem mais de trezentos lados, eu sou só um, e é isso que me assusta.



 Escrito por Ronaldo às 14h43
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CARNAVÁLIA


A máscara avisa a mim e aos meus que entrei nos dias mais perigosos do ano. Dias em que perco o resto de razão que ainda há em mim. Dias de entortar o inferno, beijar a boca da morte e festejar todas as alucinações possíveis.
Há um descontrole no peito, como se o café da manhã virasse um salto de um precipício. O sair da fila, o desfilar e o desfiladeiro que faz a carne arrebentar-se num vôo.
É a carne que pede carne, é o desespero e a não razão impelidos aos fluidos que jorram no momento de maior loucura. É como se sorvetes brotassem de bocas alheias, ou leite escorrendo pelo peito numa mistura de fome e saciação.
Não. Não me toque agora! Estou impregnado de infernos. Quando meus demônios estão libertos eu tenho cheiros assassínios e de enxofre. Meus demônios têm dentes a morder a liberdade.
E no contraste de perigosos dias, sou mais eu. Quando estou perigoso, brotam anjos de dentro de mim. Meus olhos vermelhos são códigos inversos, dizem sim, avance, help-me!
E se a vida tiver que me roubar algo, que me roube o silêncio. Fertilizo gritos ao som de Maria Callas, minha dor carrega a felicidade em estado bruto. Sou feito de mar, pedra e fúria... e de um amor maior que meus pensamentos, e de mais e mais. Um mais que às vezes me assusta, numa eterna tensão de implodir.
Eu só quero um pouco de respeito. Já naveguei por quase todos os infernos e neles vi as maldades humanas possíveis e as impensáveis. Já desisti de consertar o mundo, não há salvação para nós, medíocres. Ainda bem que inventaram a morte, pena que ela não seja justa, às vezes ela chega antecipada aos eternos, e longa demais aos que desejo matar com um olhar.
Ok! Carnavália! Eu não nasci para ser puta, nem nasci para sobreviver de bordas ou periferias, e fodam-se todos os comedimentos, sobrevivo e vivo pelo barulho que existe em mim. Ainda sinto um desconforto por não ser entendido, e sei que morrerei assim. E o que me faz resistir ao tempo é a certeza de que mesmo morto não apagarei, estarei sempre aqui, nem que seja em palavras.

Confiteor deo omnipotenti vobis fratres, quia peccavi nimis cogitatione,
Verbo, opere et omissione, mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.
It´s a sin.



 Escrito por Ronaldo às 11h38
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ALUCINAÇÕES

O sol brilha no fundo do espelho e tudo parece a revelação do vôo. Cada detalhe e cada movimento ganham a força de rituais, velas e bruxos. A boca treme na ansiedade de cair sobre um pedaço da verdade.
Há flores brotando sob a cama, há dores secando o travesseiro e o ar.
Desgastei-me ao limite do basta! Não afirmo mais ser tão verdadeiro como antes.
Descobri, como um idiota, que para sobreviver tenho que virar morte. E como não tenho escolhas, serei imortal.



 Escrito por Ronaldo às 00h55
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ANOTHER CRACK IN THE WALL STREET

Mother, continuamos em fila ao abate. Gados de olhos vermelhos por faróis e fúria
O muro é muito alto, mãe, mas podemos derrubá-lo com sonhos
A chuva tenta impedir-nos de sair de casa, mas nossos olhos resistem e provocam
Saudades, gotas e tempestades
Nenhum muro resiste ao tempo, a areia que cega os olhos derrete-se em castelos úmidos
E enquanto houver água salgada a jorrar de nossos corpos medos e mares
Nenhum muro será eterno



 Escrito por Ronaldo às 00h57
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"Como se eu estivesse por fora do movimento da vida. A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros. A linguagem que eles usam para se comunicar quando rodam assim e assim por diante nessa roda-gigante. Você tem um passe para a roda-gigante, uma senha, um código, sei lá. Você fala qualquer coisa tipo bá, por exemplo, então o cara deixa você entrar, sentar e rodar junto com os outros. Mas eu fico sempre do lado de fora. Aqui parada, sem saber a palavra certa, sem conseguir adivinhar. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota - tá me entendendo, garotão?"

Caio F. Abreu


 Escrito por Ronaldo às 07h57
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